6 bons motivos para viajar só

24 mar

Que delícia viajar com amigos, namorad@ ou família, né? Viver aventuras com quem a gente gosta, relembrar as histórias depois, estreitar relacionamentos, tomar decisões juntos, se ajudar… Tudo isso são vantagens bem conhecidas. Mas e quando não dá pra viajar com alguém? Quando as férias não batem, as vontades não combinam, a grana não tá disponível ao mesmo tempo? E quando você simplesmente quer um tempo só? Dá pra viajar assim mesmo? E dá pra se divertir?

Já falei aqui o que penso sobre viajar só e o quanto curti estar na estrada comigo mesma de São Paulo e Inhotim a Paris e Viena. Mas ainda vejo gente colocando empecilhos em alguns planos viajantes por falta de companhia. Pra tentar dar um empurrãozinho na galera – e em mim mesma, por que não? -, fiz uma listinha com algumas das vantagens que eu vejo nas viagens solo. Vamos a elas :D

1. Conhecer gente nova

Quando você tá acompanhado, é muito mais confortável permanecer no seu grupo, né? Não existe a “necessidade” de procurar outras companhias e é fácil se acomodar com o conhecido. Sozinho, rola um empurrãozinho natural pra puxar assunto com outra pessoa que tá só, ou com aquele pessoal simpático tomando café da manhã ao seu lado no hostel. E às vezes isso acontece sem querer: você vai pedir informação pra chegar num lugar, conversa vai, conversa vem, fez um amigo. Tá sentado lá na sua e alguém vem puxar assunto: “Tá viajando só? Que coragem!” (porque as pessoas insistem em pensar que o mundo é uma zona de guerra). Quem sabe não começam assim as situações ou conversas mais interessantes da sua vida?

2. Fazer seus próprios planos

Esse é um aspecto prático que pode até parecer egoísmo, hehe. Mas é verdade que quanto mais gente viajando junta, mais difícil conciliar as vontades de todos. Se essa “gente” se reduz a uma pessoa só, então, zero discussão ;) É claro que ceder ao que os outros querem em alguns momentos é importante, além de lhe permitir descobrir coisas que não pensava gostar. Mas também é legal poder explorar o lugar no seu próprio ritmo, parando, seguindo e mudando de planos quando bem entender.

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Só, você faz seu próprio caminho ;)

Leia mais: Sobre viajar só

3. Superar medos

Muita gente tem medo mesmo de estar sozinho por aí, principalmente em outro país. Medo de não conseguir se comunicar em outra língua, medo de se perder e não achar mais o caminho, medo de não entender os mapas, medo de falar com desconhecidos. Mas aí entram duas partes massa: a primeira é que você não vai ter muita opção além de enfrentar qualquer que seja esse medo. Aí, depois de você cruzar uma barreira e ver que sobreviveu, as outras vão parecendo cada vez menores :) E a segunda coisa legal é que você tem a possibilidade de aprender a fazer o que quer que seja sem ninguém conhecido por perto pra lhe observar, pressionar ou julgar. Pedir comida em outro idioma, entender o metrô, encontrar aquele ponto turístico meio escondido: você pode fazer tudo isso no seu ritmo e as conquistas serão só suas o/

4. Aguçar os sentidos

Quando eu tou acompanhada, costumo conversar muito. Me considero tímida, mas é fato que quando tou à vontade com a pessoa, dificilmente calo a boca ^^ O lado ruim disso durante uma viagem é que acabo perdendo um pouco do que acontece à minha volta. Falar sobre o que está ao redor, contar histórias e rir é mara, mas parar e sentir também é muito bom. Sozinha, eu me sinto muito mais aberta ao mundo exterior. Meus sentidos parecem ficar mais aguçados e eu sinto mais cheiros, ouço os barulhos da rua e as conversas e a forma em que as pessoas falam. Paro e aprecio com calma uma comida gostosa. Observo o olhar das crianças brincando, dos jovens na escada da faculdade, dos idosos no metrô. Por isso, apesar de achar ótimo conhecer pessoas, também gosto de aproveitar os dias de viagem pra seguir meio anônima, me guardar mais pra mim. Desacompanhada, acho mais fácil me dedicar à contemplação e, no meio do caminho, descobrir sensações diferentes.

Comida e mapa: duas companhias fundamentais

Comida e mapa: duas companhias fundamentais

5. Se conhecer melhor

Essas sensações, aliás, não se referem apenas ao mundo exterior. O estar só (que é bem diferente de “solidão”) aguça também os sentidos pra dentro da gente. Mais tempo pra pensar na vida sem a interferência das preocupações do dia a dia pode lhe ajudar a se entender um pouco melhor. Estando em situações diferentes das habituais, fora da zona de conforto, nem se fala. Às vezes me surpreendi com a forma em que reagi a alguma coisa inesperada – pra o bem ou pra o mal. E às vezes me vi rompendo os conceitos que eu mesma tinha sobre mim. O que leva ao sexto e último ponto dessa lista…

6. Poder ser quem você quiser

Ao viajar só, você não tem ninguém ao seu lado a quem dar satisfações. Não tem aquele seu amigo de infância ou namorad@ de longa data dizendo que tal comportamento não combina com você, não tem seus pais com as expectativas de sempre. Conhecendo gente que nunca viu antes, você não precisa se prender àquilo que as pessoas esperam que você seja. Sempre foi tímido? Que tal tentar puxar assunto com a galera num bar? Nunca teve paciência pra cultura “erudita”? E se der vontade de ir a um concerto de música clássica? É mais quieto, mas quer conhecer a tal balada bombástica da qual todo mundo tá falando? Por que não? Ninguém vai estranhar sua mudança, e se você não gostar da novidade não faz mal. A cada dia viajando sozinho, você tem a oportunidade de explorar seus limites, suas potencialidades e seus desejos com mais liberdade do que nas amarras da rotina e do conhecido. A cada manhã, você acorda com a possibilidade de descobrir novas partes de si mesmo, de preencher uma folha em branco com o que der na telha. Vê que divertido! :)

Tá bom ou quer mais? Pra você, por que é bom viajar sozinh@?

Albergues: Regras básicas de convivência

20 mar

Um dos melhores exemplos práticos pra aquela história de que nossa liberdade termina onde começa a dos outros são os albergues – especialmente em quartos coletivos. Nesses lugares que misturam economia com socialização, o respeito ao próximo é mais do que fundamental. Muita gente evita esse tipo de hospedagem achando que vai passar perrengue, mas dividir o espaço com pessoas desconhecidas – às vezes de culturas, idades e gêneros diferentes – não precisa ser chato ou problemático.

Numas 15 temporadas alberguísticas em diferentes cidades, passei por poucas experiências desagradáveis devido ao mau comportamento alheio e as que aconteceram acabaram virando anedotas ;) O bom senso deveria ser suficiente pra determinar o que rola ou não rola de fazer, mas sempre vale a pena ficar atento a algumas regras básicas de convivência. Fiz uma listinha com algumas das principais, a meu ver:

1. Evite fazer barulho à noite.

Não me acordo com muita facilidade, mas sei que muita gente sim. (Parênteses: se esse for seu caso, se ligue no próximo post da série, que vai trazer algumas dicas pra evitar querer matar um num quarto compartilhado) E uma das principais coisas a se respeitar num quarto é, obviamente, o sono alheio. Se estiver acompanhado, deixe pra conversar do lado de fora do quarto. Além disso, mesmo nas áreas comuns é bom tomar cuidado com o volume da voz, passadas as 22h. Mas não são só conversas que provocam barulho. Se precisar sair de madrugada, tente deixar as coisas arrumadas na noite anterior. E se chegar da farra bêbado, sei que pode ser difícil se controlar, mas faça um esforço ;)

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2. Não deixe suas coisas espalhadas pelo quarto.

Primeiro o óbvio: não ocupar gavetas e lockers específicos de outra pessoa, ou muito menos a cama alheia. Sim, já teve gente que colocou coisas em cima da minha cama, assim, como se o quarto inteiro fosse dela o.O Mas fora essas semnoçãozisses, também costumo evitar deixar tralhas nos espaços comuns, como mesas ou ganchos espalhados pelo quarto, especialmente se não houver espaço pra todos fazerem o mesmo. E é claro: nada de espalhar seus trecos pelo chão, porfa! Ainda mais porque seguindo o item a seguir até você mesmo pode se dar mal com isso.

3. Evite acender a luz à noite.

Ninguém quer ficar tropeçando nas coisas ou batendo nas camas, mas pra muita gente a luz atrapalha muito o sono. Daí que eu fico superfeliz quando um albergue tem luz de leitura individual, porque curto ler alguma coisa antes de dormir, e assim fica mais fácil se mexer pelo quarto depois que o povo tá dormindo. Mas veja se a tal luzinha não é forte demais a ponto de incomodar todo mundo, e tente sempre evitar acender a “luz alta”. Pra conseguir achar alguma coisa ou simplesmente não tropeçar em possíveis tranqueiras alheias, o celular pode ajudar muito.

4. Seja simpático – ou pelo menos educado.

Albergues são espaços de socialização por excelência e muita gente os procura querendo fazer amigos. Já dividi quarto com muita gente interessante, de senhoras com idade pra serem minhas avós a jovens “aventureiros”, passando por Paquitas do Parque da Xuxa :P É claro que você não é obrigado a conversar litros com ninguém, nem fazer juras de amizade eterna depois de ter compartilhado um beliche. Ainda assim, espero que o pessoal dividindo quarto comigo seja pelo menos educado, dando um “oi”, se apresentando e tal. Em quartos pra muitas pessoas é outro esquema, mas nos menores acho uó gente que entra e nem olha na minha cara. Sem falar que sei lá, vai que depois daquela quebra de gelo inicial você encontra o amor da sua vida? hehe.

5. Não deixe o despertador tocando por muito tempo.

Tudo bem que você precisa acordar cedo pra ir pro aeroporto, ou simplesmente não consegue levantar antes do meio-dia sem a ajuda do seu celular (ops, a carapuça serviu por aqui), mas não precisa acordar o quarto inteiro junto, né? Interrompa o barulhinho – por mais simpático que ele seja – assim que acordar, pra atrapalhar o mínimo possível o sono alheio. Usar a função “soneca”, nem pensar, pelamor!

6. Não demore demais no banheiro.

É claro que em certos momentos de emergência pode não ser possível controlar esse tempo, hehe. Mas se estiver usando um banheiro compartilhado, seja ele no corredor ou dentro do quarto, tente não demorar tanto tempo no banho ou se ajeitando. Se possível, deixe pra finalizar as arrumações do lado de fora. :)

7. Mantenha o ambiente limpo.

Essa vale pra o banheiro, pras áreas comuns em geral e até pra sua cama. Uma das raras situações chatas que vivi num albergue envolveu duas meninas porcas ao ponto de a sujeira que elas deixavam nas próprias camas (o que incluía – pasmem – restos de comida) incomodar o quarto todo. Por favor, não seja essas meninas!

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8. Não transe.

Essa felizmente nunca aconteceu comigo, mas já ouvi muitas histórias de surpresas pouco agradáveis envolvendo casais ansiosos em ambientes compartilhados. Da amiga que entrou no quarto e viu um par de calças jeans “em pé” no chão e quatro pés se movendo no beliche de cima ao amigo que acordou no meio da noite com o balanço da cama. Você pode até topar com um voyeur que curta a vibe “lugares públicos” do casal, mas a maioria das pessoas não tá a fim de testemunhar momentos privados dos outros, né? Certamente você encontra outro lugar pra isso ;)

9. Mantenha-se limpo.

É uma questão básica de higiene, mas com base em depoimentos meio assustadores de amigos percebi que pode ser necessário dar esse toque: tome banho, lave suas roupas, enfim, não fique todo fedido no quarto. Especialmente se você quiser fazer amigos ;P

10. Respeite a área comum.

Mesmo pra quem escolhe quartos privativos, o contato com outros hóspedes acaba rolando no lounge, na cozinha, no bar, no espaço pra café da manhã… Seja como for, segue o bom senso: não pegue comidas dos outros na geladeira da cozinha compartilhada, lave tudo que usar logo depois de cozinhar (pelo menos se a cozinha estiver cheia, já que enquanto você come, pode ter alguém querendo usar aquela frigideira), não passe tempo demais no computador compartilhado e não pegue oito livros da estante de “book exchange” e coloque uma Capricho no lugar, hehe.

O que eu deixei de fora? Você já passou por algum perrengue porque o pessoal não respeitou alguma dessas regras? Me conta!

Leia mais:

Albergues: Dicas pra escolher um que não seja uma roubada

Albergues: Vantagens e desvantagens

Albergues: Dicas para escolher um que não seja uma roubada

17 mar

Ficar em albergue costuma ser minha opção não só pela economia, mas também por outras vantagens que eu citei aqui. Mas é bem verdade que se você não souber escolher bem, pode cair numa roubada ainda maior do que se fosse um hotel ruim. Por isso resolvi continuar a série de posts sobre albergues com algumas dicas básicas pra escolher o seu :)

Quem leu algumas reviews de hospedagem aqui no blog provavelmente já percebeu que eu quase sempre uso o HostelWorld pra fazer minhas reservas. Não, não é publieditorial ;) É que desde a primeira vez em que fiquei num hostel, há uns cinco anos, o site sempre foi uma das melhores fontes pra comparar preços, condições, opiniões e disponibilidade dos estabelecimentos e também pra fazer e gerenciar minhas reservas.

É legal porque através dele você só precisa pagar uma taxa pequena para a reserva (12%) e existe a opção de fazer uma “reserva flexível”, com depósito reembolsável caso você mude de ideia, por cerca de R$ 5. Também é útil poder ver os preços em várias moedas. E caso você não encontre o que quer lá, é uma boa dar uma olhada no site da Hostelling International, associação internacional de albergues, porque os deles às vezes só aparecem por lá (e costumam ser bons, apesar de impessoais – pelo menos na Europa).

Albergue = <3

Albergue = <3

Com o tempo, fui ficando mais rápida e certeira na escolha, por me ligar mais nas principais coisas a se observar na descrição de cada albergue. Achei que valia a pena fazer uma compilação desses itens, pra quem quiser ficar atento na hora da próxima reserva (seja pelo HostelWorld ou não). Vamos lá:

1. Ranking. No caso de sites como HostelWorld, é possível escolher a opção de visualizar os hostels disponíveis nos dias desejados na ordem da sua pontuação, atribuída pelos usuários do site. Essa é uma boa forma de começar: separe os primeiros colocados pra ir analisando os outros critérios de cada um deles.

2. Preço. No entanto, tem uma pegadinha nesse primeiro item: os lugares mais bem avaliados provavelmente serão os mais caros, é claro. Se o preço estiver muito acima do que você pode pagar, obviamente eles saem da lista. Ainda assim, tente pegar opções com pelo menos 80% de rating. Em geral, vale a pena abrir um pouco a mão pra ficar num lugar que é muito bem recomendado.

3. Localização. Pra mim, esse é um dos pontos fundamentais no quesito hospedagem. Tenha uma ideia do mapa da cidade, veja onde ficam os principais lugares que você quer conhecer e observe quão fácil é chegar neles a partir do albergue. O site do HostelWorld tem uma aba de “map and directions” que é bem útil. Esse fator, no entanto, vai variar em relação aos seus objetivos: você prefere passear durante o dia ou sair à noite? Se escolher a segunda opção, o ideal seria ficar pertinho da região mais badalada madrugada adentro, por exemplo. Estar junto de uma atração turística nem sempre é uma vantagem, mas a facilidade de circulação pela cidade sim. Considere também o acesso de/para o aeroporto/estação de trem/estação de ônibus pelos quais você vai chegar e sair. Mesmo que o hostel não seja super central, se houver uma estação de metrô por perto já tá ótimo, principalmente no caso de cidades grandes e caras como Londres. E nesse quesito entram também os arredores, que você tem que avaliar a partir dos comentários de quem já visitou (ou de algum amigo que conheça a cidade): a área é segura? É tranquilo voltar pra lá à noite? Tem supermercados e outras facilidades por perto?

Meu hostel em Dublin: Numa área ótima e perto do ônibus pra o aeroporto, dos pontos turísticos e dos bares

Meu hostel em Dublin: Numa área ótima e perto do ônibus pra o aeroporto, pontos turísticos e bares

4. Tipos de quarto. Em albergues, o tipo de quarto pode variar muito (desde “privativo com banheiro” a “compartilhado com 9836 pessoas e com um só banheiro no corredor pra 76 quartos” hehe), então coloque na balança seu orçamento e seu nível de exigência pra decidir isso também. Outro fator a se observar é a disponibilidade de quartos femininos/masculinos/mistos. Ao viajar sozinha, costumo dar preferência a quartos femininos, mas quando o número de ocupantes é muito alto, não me preocupo tanto com isso (porque a probabilidade de serem todos homens é menor e porque nesses casos os quartos costumam ser maiores, então me sinto mais confortável).

5. Serviços. Lá no site do Hostelworld, na aba “facilities” (ou “serviços”, na versão em português), você encontra uma lista com tudo que o albergue oferece. A importância de um ou outro item vai de cada um, mas costumo levar em consideração principalmente os seguintes:

– Lockers, para guardar suas coisas (pelo menos os itens mais valiosos, tipo dinheiro, documentos e equipamentos eletrônicos) com segurança, principalmente em quartos compartilhados com desconhecidos.

Locker (que fechava com o cartão-chave do quarto) no Wombat's City Hostel Viena

Locker (que fechava com o cartão-chave do quarto) no Wombat’s City Hostel Viena

– Cozinha compartilhada, que permite economizar um bocado nas refeições (vale fazer sanduíche pra comer na rua na hora do almoço e cozinhar o jantar quando voltar, por exemplo);

– Se o café da manhã é gratuito ou não – ainda que a existência da cozinha compartilhada e de um supermercado por perto torne esse item menos relevante (mas eu confesso que sou muito fã dessa refeição e adoro acordar e me empanturrar sem ter que preparar nada – e sair de barriga bem cheia ajuda a economizar durante o dia hehe);

Sala do café da manhã. O bufê fica do outro lado

Sala do café da manhã (pago) no Wombat’s City Hostel Viena

– Depósito de bagagem. Se você for sair da cidade depois do horário de check-out, é bom ter um lugar pra deixar as malas enquanto você passeia e voltar pra pegar depois. Nunca fiquei num albergue que não oferecesse isso, mas é bom checar.

– Wi-fi grátis ou não. Acho um abuso pagar por wi-fi hoje em dia. Ainda que isso não seja um serviço super essencial, é útil poder checar no seu smartphone os horários de uma atração, por exemplo, quando seu 3G não funciona no lugar visitado. Além disso, já tive que trabalhar durante viagens (usando a internet), e se for seu caso não se esqueça de conferir esse item.

– Ar condicionado ou aquecedor. Dependendo do destino e da época do ano, esses itens podem ser fundamentais.

– Recepção 24 horas. Alguns lugares menores não têm gente na recepção o tempo todo, então se você for chegar tarde da noite ou muito cedo pela manhã, é importantíssimo verificar se será possível fazer o check-in ou pelo menos entrar e deixar suas coisas. Em certos albergues, você precisa informar seu horário de chegada pra que alguém fique lhe esperando; em outros, você tem que ligar pra um número de telefone ao chegar, o que pode ser complicado em outro país.

– Lençóis incluídos. Acho que hoje em dia quase não existem albergues que exigem que você leve seu lençol ou pague pelo aluguel, mas é bom conferir pra evitar surpresas se calhar de você ir num dos poucos que cobram taxa extra pela roupa de cama.

– Elevador. Se você tiver muitas malas e algum problema de coluna ou de mobilidade e o albergue tiver vários andares, é bom saber se você vai ter que subir mil escadas carregando suas tralhas.

– Área comum. Pra quem quer socializar, é importante a existência de uma área comum, normalmente em forma de “lounge” junto à recepção. Alguns albergues têm sala de TV, sala de jogos, bar etc, mas pra mim isso tudo é “plus”.

Parte da área comum do ótimo Equity Point Lisboa

Parte da área comum do ótimo Equity Point Lisboa

– Toalhas pra alugar. Se você não tiver uma toalhamaravilhosaquesecarápido (assunto de um próximo post), pode ser chato levar uma toalha gorda (e por vezes molhada) na mala, especialmente se você estiver viajando com companhias low-cost. Se você optar por não levar uma toalha (ainda que o Guia do Mochileiro das Galáxias considere este item indispensável), não se esqueça de verificar se os albergues onde vai ficar podem alugar uma – e veja quanto custa o aluguel (deve ser algo em torno de 2 euros, na Europa).

– Estacionamento. Pra quem tá viajando de carro, é bom saber se existe estacionamento no local ou lugares fáceis e seguros pra parar o carro nas proximidades.

– Outras coisas como luz de leitura individual, máquina de café, máquina de lanches, terraço ao ar livre, piscina, aluguel de secador de cabelo, aluguel de bicicletas, troca de livros etc. não são itens essenciais, né? Eu só levo em consideração a existência dessas outras coisas quando tou em dúvida entre dois lugares que preenchem todos os requisitos anteriores :)

6. Os comentários. O site do HostelWorld e muitos outros – como o ótimo TripAdvisor – têm um espaço pra reviews de quem já ficou no lugar. Apesar de muito útil, essa é a parte mais capciosa, já que não é simples confiar na opinião alheia. Tem gente de todo tipo, gosto, interesse e nível de frescura exigência nesses sites, então o que foi péssimo pra outro pode ser ok pra você e vice-versa. Eu costumo dar especial atenção aos comentários de quem deu uma má pontuação ao local, pra ver as reclamações. Ainda assim, muitas vezes os objetos de reclamação me parecem besteira e por isso reservo assim mesmo. Outro recurso interessante do HostelWorld é que ele mostra quantos comentários a pessoa já deixou antes, e teoricamente as opiniões de quem já ficou em muitos albergues são mais confiáveis do que as dos “novice nomads”, como eles qualificam os “principiantes”. De todo jeito, costumo confiar na maioria: se 15 pessoas tão dizendo que naquele lugar tem “bed bugs” ou que os banheiros são nojentos, fecho a aba do navegador na mesma hora :P E outros fatores são mais subjetivos e variam de acordo com sua preferência: você quer tranquilidade ou agito? Provavelmente, alguém vai estar comentando se o lugar é bom pra conhecer pessoas ou se é muito barulhento, por exemplo.

Resumindo: a escolha pode dar um pouco de trabalho, mas vale a pena dedicar um tempinho pra garantir que a hospedagem é no mínimo decente ;) E você, o que considera mais importante na hora de escolher um albergue? Conta aí nos comentários!

Leia mais:

Albergues: Vantagens e desvantagens

(Re)descobrindo o Recife: Sorvete artesanal no Empório do Gelato

14 mar

Receitas de família, máquinas e matérias-primas originais do país do gelato e um recomeço na terra natal da proprietária movido pelo afeto. Esses são alguns dos ingredientes da deliciosa surpresa que é a Empório do Gelato, sorveteria localizada em Casa Forte, um dos bairros mais gostosos do Recife (sendo literalmente “bairrista”, já que cresci e moro nele, hehe).

A Empório (já me sinto íntima, tá?) é um negócio familiar, tratado com cuidado, o que se reflete na qualidade dos sorvetes. Macios e saborosos, eles são beeeem diferentes do industrializado de sempre.

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Passando pela frente, o nome em neon, que tá lá desde abril de 2013, pode nem chamar muita atenção. Sou a prova disso, já que moro a dois minutos e só seis meses depois de voltar de viagem fui provar os tais “sorvetes artesanais italianos” anunciados numa faixa no primeiro andar. Resultado da visita: arrependimento. Por não ter ido lá antes, é claro :)

Assim como a aparência externa, a decoração não é lá muito especial. Também tem quem se queixe porque são poucas as vagas pra estacionar. Mas depois de provar o primeiro de muitos sabores, só o que eu conseguia pensar era: “Da próxima vez vou tomar aquele. E depois aquele outro. E depois peço aquela taça especial. E mais aquela…”. Resultado: meu salário a partir de agora está mais comprometido. Mas tou escrevendo com o bucho cheio de sorvete e nem ligo!

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À frente da casa estão Cristiana de Godoy, recifense, e seu marido alemão, que se conheceram há umas duas décadas lá no Velho Mundo e desenvolveram juntos a paixão e a aptidão pra gastronomia. Pra completar, um simpático amigo italiano dá uma mãozinha ao casal.

Essa mistureba de nacionalidades – Brasil, Alemanha e a Itália dos sorvetes, e agora também do amigo – garantiu o sucesso do negócio lá na terra de Tia Merkel por mais de duas décadas, até que a mãe de Cristiane ficou doente e ela resolveu recomeçar do lado de cá do charco. Na bagagem, vieram as máquinas usadas por lá pra fazer de sorvete a chantilly – e que chantilly! -, além das bases, chocolates e outros ingredientes.

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No cardápio, frutas tropicais como banana e maracujá se misturam a clássicos europeus como straciatella, nocciola, amarena e tiramisu. Tudo feito com ingredientes selecionados e frescos: as frutas usadas são de verdade, e como resultado o morango tem gosto de morango mesmo, e não daquele sabor que a indústria alimentícia resolveu batizar como tal. Eba!

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Pra o paladar brasileiro, conta Cristiana, os campeões são os chocolates, desde o simples (“cioccolato”) aos deliciosos Ovomaltine e Nutella. Pausa pra suspirar de paixão <3 Confesso que fiz parte da tendência tupiniquim e fui direto no segundo – pra minha alegria, vale ressaltar. Mas a vitrine de sabores multicultural inclui ainda pistacchio, yogurt mirtillo (outro que me conquistou!), limone e mais maravilhas, com direito até a uma opção de chocolate para diabéticos.

Como se não bastasse, tem também uma série de taças mais elaboradas como a Coppa Yogurt, que é basicamente uma versão megablaster melhorada da sobremesa que eu mais faço em casa na época de morangos: são três bolas de sabores à escolha do cliente + calda ou mel + salada de frutas frescas + iogurte natural + granola + chantilly artesanal. NHAM!

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Minha escolha na última visita foi a Coppa Fragola – que dividi com uma amiga e comi, criança que sou, no lugar do jantar -, com sorvetes de banana (um dos meus favoritos: textura perfeita e não é enjoativo), straciatella (meu sabor preferido nazoropa, em parte porque adoro dizer essa palavra :D) e crema (um creme básico e gostoso) + morangos deliciosos + calda de morangos naturais (nada daquelas bizarrinhas de supermercado; o negócio aqui é autenticidade, môvei) + o suave chantilly que eles fazem lá na hora. <3 <3 <3

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Os preços, é verdade, não são dos mais simpáticos: uma bola (no casquinho ou no copinho) custa R$ 7 e duas R$ 12, enquanto as copas vão de R$ 18 a R$ 19,50 (mas super dá pra dividir, se você não for mega guloso). Mas convenhamos: não dá pra esperar um preço de casquinho da Mc Donald’s, já que esse não é nem de longe um sorvete da Mc Donald’s.

Em vez de uma montanha de gordura hidrogenada gelada, você recebe um produto artesanal, feito diariamente na loja com os melhores ingredientes possíveis – tanto que algum sabor pode não estar disponível devido à eventual dificuldade pra encontrar alguma matéria-prima. É que muitas coisas vêm da Itália mesmo e levam meses pra chegar. Da próxima vez vou me oferecer pra ir pessoalmente lá no país da bota pegar ;) hehe.

Se você for louco/zoró/problemático e não gostar de sorvete, não se desespere: pra completar o cardápio, também tem café quente (R$ 4,20) e gelado (R$ 17), capuccino (R$ 6), espresso (R$ 3,50), chocolate quente (R$ 5,50) e gelado (R$ 17), milkshake (R$ 10 e R$13), yogurshake (R$ 15), brownie (R$ 13) e até cervejas (R$ 3,50).

Serviço:

Empório do Gelato

Avenida 17 de Agosto, 1615.

Na mão de quem vem no sentido subúrbio-cidade, fica pouco depois do Bar Real, quase na altura da padaria Engenho.

Horário de funcionamento: terça a domingo, das 14h às 21h30.

Telefone: (81) 3037-1268

Leia mais:

(Re)descobrindo o Recife, passeios gratuitos e Praias do Capibaribe

(Re)descobrindo o Recife, passeios gratuitos e Praia do Capibaribe

12 mar

Hoje é o aniversário do Recife e da sua cidade-irmã, a linda Olinda. Mas esse não é só um post-efeméride (mania de jornalista). Comecei a escrevê-lo há alguns dias, pensando na minha relação conflituosa com a capital pernambucana, cidade onde nasci e me criei.

Nos últimos tempos, tem-se falado muito dos problemas daqui. São mais carros, mais prédios (cada vez mais altos), mais desigualdade e menos pessoas nas ruas, vivendo a cidade de verdade. Mas acho que existe uma luz no fim do túnel: o momento de crise tá provocando um movimento pra ir pelo caminho inverso. Pra sentir mais a cidade, os espaços públicos, os cantinhos especiais que ficam esquecidos na correria do dia a dia.

A verdade é que minha motivação principal pra o que vem a seguir é egoísta: não quero me esquecer que amo o Recife. Por isso, esse ano decidi fazer o exercício de olhar pra minha cidade com outros olhos. Olhos mais carinhosos e mais abertos pra o que tá do outro lado das minhas janelas. Porque continuo achando que o mundo é grande demais pra ficar num lugar só, mas deixa eu contar outra coisa: ultimamente nem tem sido tão difícil gostar de ficar por aqui.

Já dizia Reginaldo Rossi: Recife tem encantos mil! ;)

Já dizia Reginaldo Rossi: Recife tem encantos mil! ;)

No último domingo, por exemplo, saí pra explorar meu bairro – Casa Forte, um dos mais gostosos da cidade – e (re)descobri um monte de cantinhos legais. Ruas, pracinhas, uma sorveteria delícia, um café novo. E é claro que vou vir aqui compartilhar tudo isso com vocês, em posts que começam a entrar em alguns dias. E, como sempre, espero ansiosamente os comentários com dicas pra conhecer coisas novas. O que também se estende ao mundo offline, é claro! Se você mora ou tá de passagem por aqui e também quer (re)descobrir a cidade, aceito de muito bom grado convites pra passeios ;)

Aproveito o post, então, pra lançar um mini projeto do blog: “(Re)descobrindo o Recife”. Vou continuar falando das minhas viagens e de tudo o mais relacionado a elas. Mas vez ou outra vou aproveitar essa minha redescoberta pra compartilhar com quem é daqui, com quem quer visitar e com quem nunca pensou em vir – mas quem sabe começa a sentir vontade? – as delícias dessas ruas, desses rios, desses lugares e dessa gente.

Olha! Recife

O melhor é que eu não estou nada só nesse movimento de novos olhares \o/ Agora na ponta da língua (ou dos dedos, hehe) tenho já dois exemplos legais. Enquanto escrevia esse post, recebi um e-mail da Secretaria de Turismo do Recife falando de uma novidade: o lançamento do projeto “Olha! Recife”, que vai oferecer quatro perspectivas diferentes pra que recifenses e turistas (re)descubram a cidade.

São quatro tipos de passeios gratuitos, todos os finais de semana: aos sábados, em dois ônibus turísticos (Olha! Recife de Ônibus) ou em um catamarã (Olha! Recife no Rio); aos domingos, passeios guiados de bicicleta (Olha! Recife Pedalando) ou a pé (Olha! Recife a Pé), com o acompanhamento de guias turísticos. O projeto começa no próximo sábado (15 de março) e assim que possível vou conferir pra contar aqui pra vocês! Pra quem já se interessou e não quer esperar, as informações práticas estão todas aqui.

Foto: Irandi Souza/PCR

Foto: Irandi Souza/PCR

Praia do Capibaribe

Esse eu já conheço há cerca de um ano e meio, mas só faz ficar cada vez mais legal e profissa <3 “As Praias são intervenções culturais que visam transformar os espaços da beira do rio Capibaribe em lugares de convivência cidadã“, define o próprio grupo por trás da iniciativa, em sua página no Facebook. A ideia é simples: enquanto não podemos realizar o sonho de mergulhar no rio mais simbólico da cidade (pelo menos não sem virar um mutante em seguida), que tal entrar em contato com ele de outras formas, transformando suas margens em espaço de lazer e chamando atenção pra necessidade de preservação do meio ambiente?

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No primeiro domingo de cada mês, um trecho diferente da margem do Capibaribe (fui em duas edições junto ao Museu Murilo la Grecca, no Parnamirim, e uma ao lado do Cinema da Fundação, no Derby) vira “praia” \o/ Com direito a redes, cadeira de praia, cangas estiradas, música ao vivo, bebidinhas, comidinhas e até mesmo uma bolha de plástico pra o pessoal “andar” pelo rio (comprada através de crowdfunding) e um pier flutuante com uma mini piscina.

O resultado é um bocado de gente feliz, curtindo a cidade ao ar livre, em um ambiente agradável e cheio de energias boas. Recomendadíssimo! E aí, tá de passagem por aqui no primeiro sábado de algum mês? Quer saber mais? Curta a Fanpage do projeto e veja o site do Eu quero nadar no Capibaribe, e você? :)

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Albergues: Vantagens e desvantagens

11 mar

No Brasil, a gente ainda não tem muita cultura de albergue, né? Por aqui, os hotéis e pousadas dominam com muita folga, mas segundo o Ministério do Turismo, isso pode estar mudando: é que a procura por esse tipo de hospedagem cresceu 33% nos primeiros nove meses de 2013.

Como eu contei no post anterior, a primeira vez em que fiquei num hostel pelas bandas de cá foi no mês passado, mas já me hospedei em pelo menos 15 na Europa. Por isso, resolvi fazer uma série de posts pra ajudar os hosteleiros de primeira viagem (e também os de segunda, terceira… e eu mesma, com os comentários de vocês) a aproveitar ao máximo a experiência \o/

Depois desse primeiro post, que foca nos prós e contras, já tem outros três saindo do forno: dicas pra lhe ajudar a escolher e reservar um albergue que não seja uma furada, uma série de regras básicas de convivência e uma listinha de coisas úteis pra levar com você, pra facilitar sua vida e a dos outros. Afinal, um albergue pode ser bem mais do que um lugar barato pra o básico (dormir, tomar banho e guardar as coisas). Vamos nessa?

O Equity Point de Lisboa tem uma área comum bem gostosa :)

O Equity Point de Lisboa tem uma área comum bem gostosa :)

Alguns pontos positivos de ficar em um albergue:

– A economia: Não vou negar que adoro a privacidade, o conforto e o café da manhã farto de um bom hotel e que a economia costuma ser um dos fatores principais pra que eu dê preferência a hostels. Mas convenhamos: essa é uma economia superválida, já que hospedagem é um dos itens que mais pesam num orçamento de viagem e quanto mais dias por aí, melhor, né? Pra quem prefere passar o dia (e às vezes a noite) na rua mesmo e não tem muita dificuldade pra dormir, acho que vale muito colocar na balança a necessidade de “luxo”. Ah, e lembrando que muitos têm a opção de quartos privativos – que mesmo assim, costumam sair mais em conta do que hotéis -, então você nem precisa necessariamente abrir mão da sua privacidade.

– As pessoas: Já vivi momentos impagáveis em quartos compartilhados, bares, cozinhas, refeitórios, lounges e outras áreas desse tipo de hospedagem que é quase sinônimo de socialização :) É claro que tem muitos no estilo “hotel barato”, sem nenhuma vibe mais pessoal e zero estímulo à interação, mas se você souber escolher direitinho e cair num albergue legal, a experiência vai garantir no mínimo boas observações antropológicas ;) Com sorte, além disso você vai sair de lá com amigos novos e boas histórias pra contar (ou histórias que não se pode contar, hehe). Pra quem viaja sozinho, mas quer companhia, essa é uma das formas mais fáceis de conhecer gente aberta e disponível.

Alemã simpática que tava no hostel sozinha e foi incluída no nosso grupinho em Dublin :)

Alemã simpática que tava no hostel sozinha e foi incluída no nosso grupinho em Dublin :)

– As atividades extra: Além da interação natural no quarto/corredor/cozinha, muitos albergues oferecem espaços específicos de socialização, como bares ou até discotecas, e atividades extra interessantes – algumas gratuitas, outras não. Tem pub crawl (evento em que você paga um preço fixo e sai em grupo indo de um bar a outro, tomando um drink/shot/etc em cada lugar, pra conhecer gente e ter um gostinho da noite da cidade), free walking tour (que também pode ser feito de forma independente, como já falei aqui, mas se um grupo sair do seu hostel fica mais fácil do que procurar o ponto de encontro), noites de pizza/paella/tapas/crepes grátis, noites de jogos e mais um monte de etcéteras que fazem o albergue ir muito além do “lugar pra dormir e guardar as malas”.

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Free walking tours <3

– As dicas “descoladas”: Normalmente, quem trabalha em albergue é jovem e adora viajar e interagir com gente de outros lugares. E essas pessoas também costumam conhecer bem a cidade, afinal, orientar os visitantes faz parte do seu trabalho. Consequentemente, se o staff for simpático e bem informado você terá acesso fácil e gratuito a várias dicas de programas legais que muitas vezes não constam nos guias, além de orientações sobre como se locomover, comer etc. sem gastar muito dinheiro o/

Alguns pontos negativos de ficar em um albergue:

– A falta de privacidade: Você provavelmente vai ficar num quarto compartilhado. Se estiver num grupo grande e fechar um quarto só entre seus amigos, massa! Se não, pode ter que dividir um beliche/triliche com desconhecidos, às vezes do mesmo sexo que você, às vezes não (normalmente você escolhe entre quarto misto, feminino ou masculino). Isso significa uma oportunidade a mais pra interagir com gente potencialmente interessante, mas também significa estar suscetível a hábitos desagradáveis de pessoas sem noção e ter que limitar certas ações pra não incomodar os outros, como trocar de roupa no banheiro e não fazer barulho enquanto alguém estiver dormindo – mas esse assunto fica pra o post sobre “dicas de convivência” ;)

– O banheiro compartilhado: Em muitos lugares, existe a opção de quarto com banheiro no corredor ou dentro. Só que mesmo se você estiver em um com banheiro privativo, pode ser que precise compartilhá-lo com desconhecidos, dependendo de quem tá no quarto com você. Pra muita gente, isso é um problema, já que obviamente é possível que o banheiro fique sujo, bagunçado ou esteja sempre ocupado. Além disso, alguns banheiros do tipo não deixam muito espaço pra pendurar as roupas e shampoo/sabonete/etc, nem um espaço seco pra você se vestir direito. Também tem a chatice de alguns lugares que lhe obrigam a ficar apertando o botão do chuveiro a cada 5 segundos pra economizar água. Pessoalmente, acho que dá pra relevar: não tenho um nivel de exigência dos mais altos, mas nunca passei por nenhuma experiência traumática nesse sentido (acho que o pior foi o banheiro estranho do hostel em Berna, na Suíça. hehe).

Banheiros compartilhados podem ser meio chatos :/

Banheiros compartilhados podem ser meio chatos :/

– O possível barulho: Mesmo com todo o cuidado do mundo, é difícil não fazer um pouco de barulho ao chegar e sair do quarto. E mesmo que no seu quarto só tenha gente muito limpeza, é mais difícil garantir o mesmo sobre o albergue inteiro. Em geral, quem procura esse tipo de hospedagem são jovens (apesar de que já vi muuuuita gente de 50 anos ou mais nos hostels da vida), e gente xovem tem uma propensão a fazer festa quando viaja, né? Sem contar que alguns lugares têm um bar ou até mesmo uma discoteca em um dos andares… Daí que talvez não seja muito fácil dormir, se seu sono for dos mais leves. Mas isso dá pra contornar, até certo ponto, lendo os reviews sobre o hostel (assunto de um próximo post), já que através deles você saca o perfil do lugar (badalado ou tranquilo). Muitos lugares têm uma política rígida de controle de barulho depois de certas horas.

O bar embaixo do hostel pode não ser tão legal se você só quer dormir...

O bar embaixo do hostel pode não ser tão legal se você só quer dormir…

– A possível falta de segurança: O fato de compartilhar o quarto com estranhos leva alguns a questionar: e se o povo sair roubando minhas coisas? Acho muito difícil alguém levar embora sua escova de dentes ou suas roupas de má fé, e o bom senso + a “ética do mochileiro” levam as pessoas, em teoria, a respeitar as coisas dos outros. Mas é claro que é preciso se ligar com suas coisas, principalmente equipamentos eletrônicos, documentos e dinheiro. Pra isso, o ideal é usar lockers, que costumam ser disponibilizados, mas nem sempre são grandes o suficiente pra sua mala inteira (nesse caso, você coloca pelo menos as coisas mais importantes dentro dele). Em alguns casos, eles são espaçosos e têm fechadura eletrônica, mas em muitos é preciso levar seu próprio cadeado (o que também vai ser assunto de um dos próximos posts!). Normalmente, evito levar objetos de valor pra albergues e quando não tem um locker ou armário seguro, chego a dormir com a doleira, guardando nela itens como passaporte, dinheiro e cartões. Guardar câmera e celular numa bolsinha junto de você na cama também é uma opção nesses casos.

E pra você, quais são os pontos positivos e negativos dos albergues? Tem alguma história muito legal ou muito trash pra contar? Se joga nos comentários!

Leia mais: 

Reviews de hospedagem do Janelas Abertas mundo afora

Já curtiu a página do Janelas Abertas no Facebook? Corre lá!

Albergue no Rio – Bonita Ipanema

28 fev

Ahhh, o Rio de Janeiro… A Cidade Maravilhosa é um daqueles destinos que me dão a impressão de que mil visitas não seriam suficientes. Semana passada, voltei lá com uma amiga e, como sempre, fiquei encantada. Mas a viagem teve uma novidade: foi a primeira vez em que me hospedei num albergue no Brasil :B Já fiquei em uns 15 na Europa, mas aqui costumo ir pra casa de alguém, então a experiência só rolou agora – e foi bem legal :)

Aqui morou Tom Jobim <3

Aqui morou Tom Jobim <3

Escolhi a Pousada e Hostel Bonita Ipanema porque ela parecia fofa pelas fotos, porque amigos me recomendaram, porque Tom Jobim morou lá (hehe) e principalmente por causa da localização, que é maravilhosa. Teve algumas coisas negativas, mas nada de mais. Por exemplo, estranhei o fato de não haver chave pra os quartos compartilhados – pra mim, compartilhar o quarto com x pessoas uma coisa; qualquer hóspede poder entrar quando quiser, talvez até por engano, é diferente e acho que não custa nada dar chave. Mas não houve problemas e pelo que me disseram isso é comum por aqui, então tá! Também foi a primeira vez em que tive que esperar sempre que queria usar o banheiro, mas pra mim isso se justifica não só pelo fato de o hostel ser uma casa adaptada e ter poucos banheiros, mas também porque a galera por aqui toma mais banho mesmo :P

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Piscina!

Por outro lado, adorei o clima meio praiano, muito à vontade, aberto e ensolarado, com cara de pousada mesmo, o que acho meio difícil encontrar num albergue europeu. Gostei do café da manhã gratuito com frutas, pão francês fresquinho e bolo; ele é simples, mas bate o de quase todos os hostels que conheci no Velho Mundo. E apesar de as moças do café da manhã estarem sempre discutindo e gritando entre si, achei o staff simpático e a galera da recepção foi super prestativa  :)

O café da manhã tá incluso na diária

O café da manhã tá incluso na diária

Voltando à localização, ponto que me conquistou mesmo: o hostel fica em – adivinha – Ipanema, bairro delicioso, pertíssimo de uma estação de metrô (General Osório, nome da praça onde é realizada a Feirinha Hippie, que é massa) e de várias paradas de ônibus eeeee a apenas duas quadras da praia, perto da altura do badalado Posto 9. Tem também vários bares legais nas proximidades, desde o clássico Garota de Ipanema a lugares mais moderninhos/jovens como o Empório, então dá pra ir e voltar andando mesmo à noite. Atualmente, tão rolando umas obras na rua do Bonita e aí a chegada é meio feiosa, mas nada que atrapalhe a estadia. E lá dentro é tudo bonitinho, ainda que meio rosa demais haha.

A sala de TV

A sala de TV. Meu quarto era o da esquerda com a porta aberta

Tem também wi-fi gratuito, que eu não usei muito, mas parecia ok; um barzinho com cerveja e alguns drinques, que ficava médio animadinho à noite; uma piscina meio pequena, mas bem suficiente pra dar aquela refrescada na volta da praia; um computador disponível pra os hóspedes; sinuca e totó (pebolim); e uma sala de TV. Ah, e os quartos têm ar condicionado ou ventilador, fundamentais pra aliviar o calor carioca. E existem as opções de banheiro compartilhado ou privativo.

Hora do café da manhã

Hora do café da manhã

Meu quarto (feminino pra 6 pessoas com banheiro compartilhado, que eles chamam de “dormitório feminino”) era bem pequeno, com dois triliches e lockers de madeira (você tem que levar seu próprio cadeado). Mas como nunca estávamos todas lá ao mesmo tempo, a questão do espaço foi bem tranquila.

Meu pequeno quarto

Meu pequeno quarto

Os banheiros são tipo “de casa”, e não estilo vestiário. Os chuveiros são ótimos e tem ganchos pra pendurar as coisas, mas acho que podia rolar uma limpeza mais frequente (se bem que isso ia aumentar a espera pra usar, né? hehe).

Um dos dois banheiros compartilhados do meu andar

Um dos dois banheiros compartilhados do meu andar

Resumindo: Não é um hostel superbadalado, até porque ele também é “pousada” e tem quartos privativos que tavam ocupados por famílias. Ainda assim, tem um espaço de convivência legal (o bar e o deck da piscina) e é fácil se sentir bem à vontade por lá. Achei isso legal, já que dá pra interagir com outras pessoas, mas também dá pra dormir à noite sem problemas. Enquanto fiquei hospedada lá, tinha todo tipo de hóspede: brasileiros, gringos, gente só, gente com amigos, gente com família.

O Bonita é simples, meio “caseiro”, sem frescuras, mas organizado e limpinho. Não tá no TOP 5 de melhores albergues da minha vida, mas ficaria lá de novo com certeza!

:)

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Dicas pra estudar alemão online de graça

24 fev

Eu me lembro bem do momento em que percebi que em alemão, todos os substantivos começam com letra maiúscula. Foi no banheiro de um hotel em Berlim, “lendo” um aviso sobre toalhas. Pode ser uma besteira, mas essa peculiaridade da língua me causou estranheza e despertou em mim a vontade de entender pelo menos um pouco do funcionamento dela :)

Sempre tive medo do idioma, apesar de achar um charme Daniel Brühl falando nele, por exemplo <3 Mas depois desse dia e do encantamento que a capital alemã provocou em mim, resolvi encarar o desafio. Por obra do destino (sim, sou dessas que acreditam em destino), encontrei um curso intensivo que começava logo depois da minha volta ao Brasil, no fim do ano passado, e fiz dois níveis em três meses. Não foi fácil, mas o esforço foi suficiente pra que eu quisesse continuar e fazer valer todas as horas decorando declinações ;)

A verdade é que em comparação com o inglês – que tá em todo lugar -, com o espanhol – nossa língua-irmã – e mesmo com o francês – que agora me parece brincadeira de criança -, o alemão é realmente um desafio pra mim. Ainda tou beeeem no comecinho, mas já percebi que é preciso desconstruir muita coisa da nossa lógica linguística pra pensar nela. E como sempre, mas talvez ainda mais por se tratar de um idioma menos familiar, é fundamental praticar o máximo possível. Por isso, ainda que eu tenha pouco tempo de experiência, já pude explorar algumas ferramentas e acabei escolhendo essa língua pra dar continuidade à série de posts com dicas pra estudar idiomas online. Olha aí:

Berlim <3

Berlim <3

Deutsche Welle: Aprender alemão

Eu podia até parar o post nesse primeiro tópico e você já teria um monte de material. É que o site da empresa de comunicação Deutsche Welle, assim como o da francesa TV5 (falei dele aqui), oferece um monte de opções diferentes, desde cursos online propriamente ditos com o Deutsch Interaktiv (níveis A1 a B1) a materiais complementares como podcasts pra iniciantes, matérias de rádio para intermediários, um curso de áudio em 26 lições (a série Warum Nicht), entre outras opções. Neste link, você também pode fazer um teste pra avaliar seu nível.

Goethe Institut

Estudar numa das unidades do Goethe Institut na Alemanha custa uma pequena fortuna. Pra compensar (hehe), a instituição oferece aulas gratuitas online no seu site. É possível se registrar gratuitamente na página pra conferir exercícios, vídeos e textos e participar de um fórum pra tirar dúvidas, por exemplo. Nunca usei direito essa parte, mas também tem esses outros links com áudio (o curso Radio D, feito em parceira com a Deutsch Welle, com introdução em inglês, que serve até pra quem não sabe NADA da língua) e exercícios, além de materiais pra se preparar pra algumas provas/certificados. Ah, tem até jogos “de aventura” em alemão (níveis A2 e B1) pra Android e iOS.

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Aprender Alemão

Acho que todo brasileiro que aprende alemão e tem acesso à internet acaba conhecendo esse blog. Ele é bem legal, porque traz mil explicações pra dúvidas comuns, dicas de gramática, vocabulário, vídeos, músicas etc. Também tem uma página no Facebook, com postagens bem frequentes. Recomendo!

Músicas

Uma forma clássica de aprender línguas é ouvindo música, então encontrar algum(a) cantor(a) ou banda que lhe agrade em alemão é bem interessante – melhor ainda se rolar um vídeo com legendas, né? hehe. Algumas opções que meus amigos curtem são Alligatoah, Sportfreunde Stiller, Laing, Cro, Clueso, Mia, Peter Fox, Jan Delay, Tim Bentzko, Seeed, Glasperlenspiel  e Maxim. Toma aí uma de Clueso pra inspirar:

Deutsch für euch

Nesse canal do Youtube, uma alemã fofinha dá aulinhas de alemão, explicando as coisas em inglês. Ainda não vi muitos vídeos, mas acho legal porque ela costuma ressaltar a diferença entre o “certo” e a forma em que as pessoas de fato falam no dia a dia, o que – por incrível que pareça – meus professores nem sempre fazem.

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Slow German

Essa página tem podcasts divididos por temas (comer e beber, amizades e família, feriados e festas etc.) com pessoas falando só em alemão, só que devagar :) Dá pra entender boa parte do conteúdo com um nível A1-A2 e tem também uma parte pra quem é zerado na língua (a aba “absolute beginner”), com explicações em inglês – mas achei esses meio chatos :B

Extr@

Já falei da série aqui, nos posts anteriores. A Extr@ é uma pseudo sitcom voltada pra aprendizes de vários idiomas. Os diálogos são meio bobos e é tudo meio breguinha, mas a série é ótima pra praticar o entendimento (tem legendas em alemão) e dar confiança, já que mesmo no nível A1 dá pra entender boa parte das conversas :D

BBC Languages

Esse site é um clássico pra aprender várias línguas, apesar de estar desatualizado. Ele inclui umas aulinhas básicas tipo conversação pra viagens (como se apresentar, família, compras, hotel, pedindo uma refeição, comprando bilhetes de trem etc.) e uma série de links pra sites de TVs e rádios alemães, além de um teste de nível e outros recursos.

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GermanPod 101

Esse tem uma versão grátis e a opção de pagar pra ter direito a mais recursos. Ele traz podcasts pra desde iniciantes completos a quem tem nível avançado, mas ele baseia as explicações no inglês – então se você não fala inglês, vai ficar bem confuso :P A ideia deles é trazer situações realistas e acho que a proposta é interessante, mas a dinâmica é meio lenta pra mim. O legal, por outro lado, é que existem vários recursos diferentes que se complementam: por exemplo, além dos áudios e vídeos eles disponibilizam fichas com a transcrição dos diálogos e um resumo dos conteúdos vistos em cada parte, o que eu acho massa. Tem também flashcards pra memorizar vocabulário e a opção de receber uma palavra nova por dia, por e-mail.

Gramática

Acho importante comprar uma boa gramática “de verdade”, mas se você não puder/quiser, tem uns sites que quebram o galho. Não usei muito nenhum deles e pode que tenham erros aqui e ali, mas entre as opções que eu encontrei por aí ou me recomendaram foram o Dietz & daf, que tem uma lista de conteúdos organizadinha e o Nancy Thuleen, onde uma professora juntou várias fichas de gramática que ela compilou durante os anos.

Aplicativos

Além de tudo que você pode fazer na frente do computador, tem uma coisa que eu acho particularmente útil: “estudar” on the go – no ônibus, no consultório do dentista, na fila do banco… Pra isso, tem várias opções de apps legais como o Babbel e outros que eu mencionei no primeiro post dessa série. E tem também alguns voltados pra alemão, como o do Goethe Institut pra treinar vocabulário, o dicionário PONS (que eu uso o tempo todo durante as aulas, hehe), o app Verbos alemães (é bem feioso, mas muito útil pra conferir a conjugação dos verbos) e vários do GermanPod 101, que ainda não testei. Ah, meu celular é Android, mas acho que tem tudo isso pra iOS também.

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Conjugação

Além do supracitado Verbos Alemães, que é mobile, existem plataformas na web pra verificar a conjugação dos verbos, como o Verbix :)

E você, conhece outros sites/recursos legais pra praticar/aprender alemão online sem gastar um tostão? Conta pra gente!

Leia mais:

Como aprender ou praticar idiomas de graça na internet

Dicas pra estudar francês online de graça

Aix-en-Provence – O que fazer em um dia

12 fev

Na virada de 2012 pra 2013, passei uns dois dias na burguesinha Aix-en-Provence, que é conhecida como “cidade das águas”. Beeem antigamente, ela se chamava Aquae Sextius, devido às termas romanas instaladas lá pelo século 2 a.C. Muitas ruínas das termas ainda estão lá, e o nome atual – que vem do latim e significa “águas na Provença” – atualmente é representado pelo grande número de fontes pela cidade. Entre uma e outra, você dá de cara com o charme da capital histórica da Provença, que perdeu o título pra Marselha no século 18, mas continua sendo o coração da região. E ainda assim, dá pra ver muita coisa em um dia.

Uma das muitas fontes da cidade

Uma das muitas fontes da cidade

Seu centro antigo, onde fica a maior parte das atrações turísticas, é uma delícia pra bater perna; tanto que em nenhum momento precisei usar transporte público. Mas também não dá pra dizer que Aix é parada, já que ela é uma cidade universitária, lar da Aix-Marseille Université (instituição com mais de 600 anos de existência, coisa pouca), e consequentemente abriga muitos jovens ;) Se você gostar de lugares com estilo mais romântico, dificilmente vai deixar de se encantar com Aix, perdendo-se por suas ruelas entre um casarão e outro – alguns deles datados do século 17.

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Uma boa forma de começar o passeio é pela principal rua da cidade, a Cours Mirabeau. Ela é uma alameda com árvores dos dois lados e um bom espaço pra pedestres. No verão, as copas das árvores devem ficar lindonas! Além de ser um bom lugar pra dar uma caminhada, sentar e ver a vida passar, a Cours Mirabeau é cheia de restaurantes e cafés simpáticos. Fomos num pub irlandês na noite de Ano Novo e curti um bocado (adoro essa mania dos franceses de pubs irlandeses, em Lyon tinha um monte!). No pouco tempo em que fiquei na cidade, deu pra perceber que à noite muita gente fica passando animada por essa região.

Uma das pontas da Cours Mirabeau

Uma das pontas da Cours Mirabeau

Uma dica daquelas batidas, mas clássicas, é tomar um café no Les Deux Garçons, conhecido por ter sido frequentado por personalidades como Edith Piaf, Pablo Picasso e Jean-Paul Sartre. O café, aberto em 1792, fica no número 53 da Cours Mirabeau. Se o tempo estiver bom, aproveite pra sentar no terraço dele ou de algum outro por perto. Outra opção (Gostosa e barata! Oba!) é comprar uma fatia na Pizza Capri, uma “barraca” de pizza que fica junto do Les Deux Garçons, em uma das ruas que saem da Cours Mirabeau, a Rue Fabrot nº 1. Recomendo sentar pra comer num dos bancos da via <3

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Les Deux Garçons e um pedacinho da pizzaria do lado direito

Voilà, Pizza Capri

Voilà, Pizza Capri

E a alameda é um bom ponto de partida pra várias partes do passeio, podendo ser seguida até a Rotonde, um giradouro com uma fonte no meio, onde fica também o escritório de informações turísticas. Eles têm uma ótima estrutura e atendentes simpáticos; recomendo passar lá se tiver dúvidas (o endereço é place du Général de Gaulle, nº 2).

Outra opção é ir em direção à ponta contrária da Cours Mirabeau e pegar a Rue Thiers até a Place des Prêcheurs, onde fica a Église de Madeleine. Essa praça tem também uns restaurantes e em alguns dias durante a semana rola por lá uma feira provençal (acredito que às terças, quintas e sábados até 13h, mas é melhor confirmar). Ali por perto fica também o Hôtel de Ville (prefeitura), um prédio bonito com uma famosa “torre do relógio”. A Place de l’Hôtel de Ville, uma praça superagradável rodeada por cafés com mesas do lado de fora e barracas de flores. Uma das partes mais gostosas da cidade, com certeza! Recomendo uma olhadela no Google Maps pra dar um gostinho ^^ E mais pra frente tem a Ancien Archevêche (Antiga Arquidiocese), que hoje abriga o Musée des Tapisseries (Museu da Tapeçaria), e a Cathédrale Saint Saveur.

Place de l'Hôtel de Ville ^^

Pausa pra café na Place de l’Hôtel de Ville ^^

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Pra quem é fã de Cézanne, outra dica é explorar a cidade seguindo os passos do pintor. É possível visitar lugares que marcaram a vida dele, como seu atelier, que fica no nº 9 da Avenue Paul Cézanne e é mantido como na época em que ele morreu. No escritório de informações turísticas o pessoal tem muita informação sobre esses passeios. As informações práticas estão aqui :)

Como se não bastasse, Aix-en-Provence é um ótimo ponto de partida pra explorar a Provença. Dá pra fazer bate-volta pra várias cidadezinhas por perto ou ir até a costa mediterrânea e visitar Marselha, por exemplo, que fica a uns 40 km. Uma boa opção de chegada e saída na cidade, pra quem não tiver alugado carro como eu, é o trem. Tem inclusive um TGV (trem de alta velocidade) Mediterrâneo, que conecta a cidade a várias outras nas redondezas. E aí, já começou a planejar a viagem? ;)

Leia mais:

Aix-en-Provence – Hotel

Côte d’Azur – Um dia em Antibes e Cannes

De Nice a Mônaco: Villefranche-sur-Mer, Saint-Jean-Cap-Ferrat e Èze

Nice – Roteiro

Nice – Hotel

Carnaval de Olinda e Recife: Pequeno guia de sobrevivência

8 fev

O Carnaval do Recife e de Olinda não dura só quatro dias, nem cinco ou seis, nem mesmo o mês de prévias todinho. Depois de participar dessa festa, você vai ter uma certeza: acabou de viver uma vida inteira.

Por fim, tá chegando a época do ano que mais dá orgulho aos pernambucanos. O Carnaval mais multicultural, mais barato e mais suado desse Brasil. É a época de tirar o saco de fantasias do fundo do armário e ir no Centro comprar os adereços que faltam. De vestir roupas coloridas, encher o cabelo e o rosto de glitter, separar aquele tênis que você não se importa de jogar fora na quarta-feira de cinzas e buscar na gaveta o celular velhinho de guerra que servirá de dublê do seu aparelho oficial. De seguir blocos involuntariamente, levado pelo ritmo da multidão, e desviar ou se aproveitar dos jatos d’água das crianças com pistolas de plástico.

O casario de Olinda e meu Recife no fundo Foto: Igo Bione

O casario de Olinda e meu Recife no fundo
Foto: Igo Bione

Tomar cerveja quente numa “camisinha” forrada com chita, sair embaixo do dragão do Acho É Pouco, ir até o chão no ritmo do pó-pó-pó-pó umas oito vezes por hora, rir com a criatividade das fantasias, batucar numa alfaia imaginária no ritmo do maracatu. Sair de troça em troça – porque que grupo de amigos não tem uma? -, subir ladeiras que parecem sem fim (misericórdia!), fazer amizades da vida toda com estranhos, dar início a fulminantes paixões eternas que duram o tempo de dois versos de frevo, dançar ciranda com desconhecidos…

E depois do dia de sol em Olinda, juntar forças para recomeçar à noite, lá no Recife Antigo. Disputar um lugarzinho pra ver um dos shows gratuitos – que são iguais aos do ano anterior, e aos do ano antes dele, mas o bom não é isso mesmo? – e terminar a noite (ou começar o dia, se você for dos fortes) sentado na sarjeta comendo um espetinho/escondidinho/insira aqui uma comida de rua delícia <3

Tá faltando gente nessa Olinda, hein? Foto: Igo Bione

Tá faltando gente nessa Olinda, hein?
Foto: Igo Bione

Tudo isso é pra explicar o que Samarone diz muito melhor do que eu: “Sabe-se muito bem que ao toque de uma reles orquestra de frevo, a mais raquítica e mal paga, com músicos suicidas que tocam saxofone e trompetes fumando cigarros envenenados, doentes levantam do coma na Restauração e descem pinotando. Retornam na quarta-feira de cinzas, depois do Bacalhau do Batata, como se nada tivesse acontecido, e morrem docemente, felizes. Morrem sorrindo.” :)

É que a atmosfera que se forma durante esses dias é tão incrível que mesmo eu, que nunca fui carnavalesca de carteirinha, me emociono só de pensar. Por isso, se você gostar de farra e quiser conhecer de perto boa parte da cultura das bandas de cá, recomendo muito uma carnavalizada por Recife e Olinda. Dificilmente você vai encontrar festa igual por aí. Mas verdade seja dita: é preciso uma boa dose de disposição e estratégia pra curtir a festa ao seu máximo e chegar à quarta de cinzas inteiro. Por isso, seguem algumas informações básicas pra quem vai vir pela primeira vez por aqui. Aceito de muito bom grado sugestões de conterrâneos e visitantes costumeiros pra ampliar a lista!

Tem gente que não liga tanto pra o conforto na hora de fazer as fantasias... :P Foto: Igo Bione

Tem gente que não liga tanto pra o conforto na hora de fazer as fantasias… :P
Foto: Igo Bione

Como funciona:

Você é totalmente analfabeto em termos de Carnaval RecifOlindense? Pois saiba que nosso maior orgulho é ter uma festa mega democrática, com centenas de atrações gratuitas dia e noite, pra todos os gostos – com o perdão do clichê. Por aqui, a gente brinca que depois do Natal, já é Carnaval. Desde janeiro, o calendário de prévias começa a se encher, com farras mil se antecipando à festa oficial. Pra mim, essa é uma das melhores partes, já que nada fica tão lotado e tá todo mundo tão ansioso que a animação bate recordes <3

Mas o início oficial mesmo é no Sábado de Zé Pereira, com oGalo da Madrugada, registrado no Guiness como maior bloco de Carnaval do mundo, que costuma reunir uma média humilde de 2 milhões de pessoas no centro do Recife (nem me venha com essa de “Cordão da Bola Preta”, que nosso recorde é oficial e com pernambucano não se brinca). Tem mais informações sobre o Galo aqui.

Megalomanias à parte, confesso que só de pensar nessa multidão toda me dá claustrofobia, mas se você for que nem eu, não se preocupe: Olinda também ferve nesse dia, de manhã até a noite, assim como nos dias seguintes. Uma parte bem icônica do Carnaval de Olinda são os desfiles de bonecos gigantes, que são carregados nos ombros do pessoal e rodopiam ao ritmo do frevo. O mais famoso (que na verdade é considerado um “calunga” pelos carnavalescos) é o Homem da Meia-Noite, criado em 1932, que sai pelas ladeiras da Cidade Alta no bloco de mesmo nome. Mais jovem e muito divertido é o Acho é Pouco, bloco vermelho e amarelo que também arrasa nos sábados de Zé Pereira. Pra saber mais sobre ele e os outros mil blocos que sobem e descem as ladeiras da cidade alta, fique de olho no site oficial do Carnaval de Olinda.

A partir do fim da tarde, a vibe é o Recife Antigo, a parte mais histórica e lindinha da capital pernambucana, que se transforma nessa época. São vários palcos – o maior deles no Marco Zero, que sempre recebe atrações de peso como Lenine, Nação Zumbi, Alceu Valença e Elba Ramalho -, muito confete e serpentina e gente feliz (e/ou bêbada, é claro) pra todo lado.

Pra quem quer curtir algo mais “alternativo”, uma boa opção é conferir os palcos descentralizados, que se espalham pela cidade, dando a oportunidade da galera de várias áreas curtir a festa pertinho de casa. Tem também muitas opções diurnas e mais tranquilas, algumas delas voltadas pra crianças. Pra conferir todas as atrações que estarão distribuídas em 63 polos pelo Recife em 2014, acesse a programação completa em PDF.

O Maracatu anima Recife e Olinda Foto: Igo Bione

O Maracatu anima Recife e Olinda
Foto: Igo Bione

E agora as dicas básicas de sobrevivência:

– Aprenda os principais frevos, marchinhas e demais músicas carnavalescas. Depois de ouvi-las umas 58 vezes por dia, é possível que você decore-as de todo jeito, mas é legal começar a festa já cantando junto com o pessoal. Aqui tem alguns exemplos, da lindona “Hino do Elefante” a clássicos como “Madeira que Cupim não Rói”.

– Use roupas confortáveis e um sapato fechado, confortável e não muito amado – afinal, ele provavelmente vai terminar o Carnaval destruído.

– Se alimente bem antes de sair de casa, porque beber de barriga vazia não dá, mas evite alimentos pesados. A leitora Lis Veras recomenda comer açaí antes da folia: “É uma ótima opção porque dá energia, alimenta e enche o bucho! :)”

– Guarde o dinheiro dentro da roupa, em uma doleira (aquelas mini pochetes que ficam por dentro da calça) ou algo do tipo. Tente levar notas pequenas e se possível distribua o dinheiro em mais de um lugar. Vai que você pega uma nota de 5 pra pagar uma cerveja, deixa cair o resto e não percebe? O álcool faz dessas coisas… (conselho baseado em fatos reais)

– Leve também alguns itens emergenciais, que podem ir numa bolsa pequena a tiracolo, como bem indicou a leitora Geraldina: “prendedor de cabelo, lencinhos de papel (porque os banheiros podem oferecer uma ingrata surpresa), pente, protetor solar e algum dinheirinho trocado para não ficar abrindo a doleira o tempo todo. Na doleira, além dos ‘dólares’, um documento de identificação e a carteirinha do plano de saúde”.

– Leve um celular velhinho, se possível. Perder o iPhone entre um espreme-espreme e outro não vai ser o ponto alto do seu dia.

– Não esqueça o protetor solar! “Já saia de casa com ele e se possível, leve pra retocar, a não ser que queira terminar o dia fantasiado de camarão!” [Dica da leitora Helga Vasconcellos]

– Dê preferência ao ônibus na hora de se locomover. Fora as linhas comuns, há um sistema de ônibus especial pra o Carna, o Expresso Folia, que vai de shoppings da cidade até o Recife Antigo (não achei as informações atualizadas sobre esse ano ainda) e depois volta, em várias viagens por preços módicos. E a novidade pra 2014 é o Expresso Galo, que leva ao Galo da Madrugada, nesse mesmo esquema.

– Se estiver vindo de fora, o ideal é arrumar um pernambucano folião pra lhe guiar pela melhor parte da folia, especialmente em Olinda. Se isso não for possível, não se preocupe: não vai faltar gente disposta a lhe ajudar a chegar nos lugares, nem blocos pra você seguir onde quer que esteja.

– Tente sair de casa cedo, com seu grupo já unido, e evite procurar amigos por lá. Tentar encontrar gente no meio da multidão, principalmente em Olinda, é receita pra estresse.

– Combine um ponto de encontro com seu grupo, pra o caso de alguma ovelha se desgarrar do rebanho. Seu celular pode não funcionar, ou seus amigos podem não ouvir suas chamadas. Melhor não dar chance ao azar.

–  Evite andar contra o fluxo dos blocos. É mais fácil esperar que ele passe ou, é claro, entrar na onda e acompanha-lo! [Dica da leitora Leilane]

– Beba muita água, especialmente durante o dia em Olinda. Vai ser muito sol no quengo (cabeça, hehe), muita ladeira, muita cerveja (que desidrata, né, gente!), muita dança… Não tem a menor graça passar mal na folia, né?

– Se for beber cerveja, divida sempre com um amigo, em vez de beber uma lata sozinho até o fim. É preciso estratégia para driblar a impressionante rapidez com que o suco de cevada esquenta nessa ocasião, especialmente com a moda de latões. Outra dica é comprar uma “camisinha”, aquele envoltório de isopor que dá uma segurada na temperatura – e que nessa época vem até vestida de bumba-meu-boi com chita ^^

– Você provavelmente vai se deparar com bebidas de nome e aparência estranhos como “axé de fala” e “jurubeba“. Ambas são feitas de cachaça, sendo a primeira produzida artesanalmente e misturada a vários tipos de ervas. E o leitor Carlos Cordeiro lembrou do clássico Pau do Índio, cuja receita secreta é produzida nas ladeiras olindenses há algumas décadas. São todas bebidas doces e fortes, então fica o alerta: consuma por sua conta e risco!

– Cerveja + cerveja + jurubeba + axé + água… já sabe: apesar do suor, vai bater vontade de ir no banheiro algumas vezes. O leitor Amaro deu uma dica: “ao se deparar com um razoavelmente decente, use-o (mesmo que não esteja morrendo de vontade). Na hora do desespero, o tempo na fila pode virar uma eternidade…” Este ano, vai ter uma novidade tanto em Olinda quanto no Recife: um banheiro químico pago, que se higieniza automaticamente após o uso. Mais informações aqui.

– No Recife Antigo, um ponto de apoio interessante é a Central do Carnaval. Esse ano, um dos polos da Central vai ficar no Cais do Armazém 12, às margens da Praça do Marco Zero. Nele, tem restaurantes, lanchonetes, caixas eletrônicos, fraldários, banheiros, pontos de informações ao turista e estande de achados e perdidos.

– Se estiver em casal, tente não se estressar com as prováveis investidas de muitos membros do sexo oposto – ou do mesmo sexo, é claro – em direção ao seu/à sua respectiv@. Carnaval não combina com ciúmes e aperreio!

– Se a instiga deixar, tente sair de Olinda um pouco antes da animação toda acabar. No fim da tarde e começo da noite, muita gente vai embora ao mesmo tempo e pode ser difícil pegar ônibus e táxi. À noite, o porcentual de bêbados por metro quadrado será altíssimo e pode rolar confusão.

– Tome cerveja, abrace seus amigos, pule, dance, grite e seja feliz.

Obs: As fotos que ilustram o post são do querido Igo Bione :)